segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Encontros na Praça Deodoro por Cia. dos Pés




Segurar um cartaz com um convite "Você tem tempo para ouvir a minha história?". Muita pessoas que passaram ficaram curiosas, alguns até lamentaram ter que seguir sem ouvir a história, mas pouquíssimos foram amistosos e/ou amigáveis e sentaram para ceder um pouco de seu tempo. Após ouvir a história, o dançarino inspirado no jeito da pessoa que lhe deu atenção, mistura numa dança passos e a postura daquela pessoa.

Em trânsito...


Relatório de "Dançando com árvores"
A intervenção começou por volta das 16h30. A priori, tinhamos combinado de dançar com as árvores em frente à casa da Industria, mas acabamos optando por árvores mais expostas na altura da antiga Cofal. O trânsito já estava começando a apertar, o movimento era intenso na Av. Fernandes Lima. Conversamos e nos ditribuimos em três árvores separadas.
Fomos nos alongando, cada um perto de sua árvore. De repente, já estávamos envolvidos com a dança poética. Onde eu estava, tinham umas cinco árvores. Estabeleci relação com três delas. Como as árvores eram altas e não tinham galhos baixos, investiguei ritmos e níveis, contato e possíveis partituras que surgiam da investigação e do trânsito entre as três árvores.
Elas ficavam viradas para os dois sentidos (subida e descida), assim, propus movimentos que contemplavam ambos os lados. Durante a execução, sentia que estava sendo vista por todo o mundo.
Algumas pessoas saíram de suas lojas para ver o que acontecia de extracotidiano no canteiro da avenida. Carros buzinavam, as pessoas olhavam curiosas de edentro dos ônibus, os transeuntes paravam para ver e, até os motoristas dos carros, desaceleravam os carros. Não ouvi comentários negativos nem positivos. Busquei perceber como as pessoas recebiam a ação.
Larissa Lisboa nos acompanhou fotografando a intervenção e não ouviu muitos comentários também.
Jonatha estava com dores na lombar, por isso a intervenção durou apenas 20 minutos. Saí com a sensação que poderia ter investigado mais, com mais vontade de dançar. Os bloqueios do início se transformaram em desejo de experimentação. 

Por Joelle Malta

domingo, 20 de novembro de 2011

Balançando e dançando e seguindo a viagem

A intervenção teve início por volta das 10h30. Pegamos o ônibus José Tenório - Iguatemi, no sentido Poço - Orla. Descendo na Praça Bonfim, antes dele subir para o Farol.
Combinamos de iniciar a relação do corpo com espaço do ônibus gradativamente, aproveitando o balanço da viagem e os solavancos das curvas e paradas.
De repente, já estávamos nos pendurando nas barras de segurança ou indo e vindo no corredor. Foi uma viagem tranquila e os movimentos surgiram de maneira espontânea. De início me concentrei no espaço e nas possibilidades de partituras que poderiam nascer a partir daquele ambiente cheio de barras de segurança, assentos e janelas, abstraindo assim um pouco a presença e olhares das pessoas. Mas sutilmente a atenção se expandiu para os passageiros e a paisagem. Me senti muito à vontade e não percebi nenhuma reação de repulsa por parte de ninguém ali presente, nem mesmo com a Larissa que estava fotografando descaradamente a ação. Inclusive, em determinado momento quando eu estava prestes a me deitar em duas cadeiras livres, com os pés virados para a janela e a cabeça para o corredor, uma senhora, sentada atrás de mim, colocou o pé para eu apoiar a cabeça, argumentando que eu poderia cair e me machucar. Aproveite e acomodei minha cabeça no pé dela bem rapidamente. Agradeci e segui minha dança. Em contrapartida, instantes depois, ouvi o motorista dizer algo do tipo "essa dança já tá boa de acabar, né?!". Mas como ele não insistiu na ideia, nem alterou a voz, continuei como se ele não tivesse se manifestado.
Procurei movimentos a partir do que já se faz num ônibus - sentar, levantar, puxar a corda, dormir, olhar a paisagem, reconhecer o caminho, sempre ampliando, exagerando, expandindo o gesto e munindo-o de um ritmo quase contínuo, usando de repetições, ligando movimentos e buscando resignificar as qualidades do gestual cotidiano de uma viagem de ônibus coletivo urbano.
Também foi possível estabelecer relações com a Laís, a partir do contato visual e da ocupação simultânea e improvisada em determinados espaços do ônibus. Aconteceu por exemplo de ficarmos sentados lado a lado e com o movimento da viagem e as freadas, ora levantávamos ora sentávamos novamente, às vezes ao mesmo tempo, às vezes um em oposição ao outro (ela sentando e eu ficando de pé). Também ocorreu outro momento em que eu estava sentado, executando uma série de repetição, soltando e agarrando a barra da cadeira da frente, o que gerava um som com o choque das minhas mãos nas minhas pernas. A Laís, que estava próxima, porém em pé, passou a também bater na própria perna, ora intercalando com o silêncio das minhas batidas ora acompanhando o som.
Foram momentos ricos para mim, que carreguei comigo a sensação de uma dança composta harmonicamente com aquela viagem. - por Thiago Sampaio (20/11/2011).

"Coletivo Dançante", com Laís Lira e Thiago Sampaio (10h30 - 20/11/2011)

Hoje teve Coletivo Dançante


Como passageiro de um ônibus somos conduzidos pelos trajetos quietos, pensando na vida, observando a paisagem, e ao reparar qualquer movimento ou postura diferente de outro passageiro, fica difícil não prestar atenção, ao menos para mim. 


Hoje fui uma passageira diferente, primeiro ficar em pé diante de tantas cadeiras vazias e na frente para poder fotografar, teve um momento que quase cai enquanto fotografava a intervenção "Coletivo Dançante" onde Thiago Sampaio e Laís Lira sintonizaram o movimento dos seus corpos ao balanço do ônibus.


Os passageiros observaram, poucos perguntavam de que se tratava (principalmente quando estavam para descer). Era curioso ver que nem todos observavam a dança, eram discretos os olhares, poucos demoravam mais, teve um senhor que trocou de lugar para enxergar do fundo do ônibus toda a dança. 


Confira a programação da Jornada de Intervenções


23.11 - Quarta
-Coletivo Dançante: Laís Lira, Donda Albuquerque, Natalhinha Marinho e Thiago Sampaio. Técnica: Murilo Galdino. 
Local de encontro: Cia do Chapéu, às 10 h.

Coletividade A(r)tivista: articulação entre Arte e Política



Neste sábado (19/11) foi realizada a abertura da Jornada de Intervenções, com uma conversa sobre coletividade ativista/artística e a necessidade de articulações entre as artes, o posicionamento político de cada ação artística e as interações que dão frutos ou são frutos da interação entre o homem e o urbano.

Confira a programação da Jornada de Intervenções

Não perca as próximas conversações!

21.11 - Segunda

- Conversação: “Dança e Espaço Urbano – diálogo poético entre corpo e cidade”. 
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.


22.11 – Terça

- Conversação: “Ei, você não pode fazer isso aí!: transitando entre Público e Privado”.
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.


24.11 - Quinta

- Conversação: “Intervenção Urbana – ação contestadora ou arte de contestação?”. 
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.

sábado, 19 de novembro de 2011

PROGRAMAÇÃO DA JORNADA DE INTERVENÇÕES - 2011




19.11 - Sábado
-Abertura: distribuição da programação, apresentação do blog e conversação “Coletividade A(r)tivista: articulação entre Arte e Política”.
Local: Cia do Chapéu, às 16h.
...
20.11 - Domingo
- Coletivo Dançante: Laís Lira e Thiago Sampaio. Técnica: Larissa Lisboa
Local de encontro: na sede, às 10 h.

 - Barcos: Vitor Salessi. .
 Local: Centro (a partir da Praça Deodoro), às 15h.

21.11 - Segunda
- Encontros com Cia dos Pés. Técnica: Joelle Malta, Thiago Sampaio, Donda Albuquerque e Larissa Lisboa.
Local: Praça Marechal Deodoro, às 13h.

- Dançando com Árvores: Donda Albuquerque, Joelle Malta e Thiago Sampaio. Técnica: Larissa Lisboa.
Local: Av. Fernandes Lima (próx. Casa da Indústria), às 16h.

- Conversação: “Dança e Espaço Urbano – diálogo poético entre corpo e cidade”.
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.

22.11 – Terça
- Despacho: Jorge Schutze. Técnica: Thiago Sampaio e Natalhinha Marinho.
Local: Feirinha do Jacintinho, às 10h.

- Vende-se o Rio: Donda Albuquerque. Técnica: Larissa Lisboa.
Local: Assembléia Legislativa, às 16h.

- Conversação: “Ei, você não pode fazer isso aí!: transitando entre Público e Privado”.
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.

23.11 - Quarta
-Coletivo Dançante: Laís Lira, Donda Albuquerque, Natalhinha Marinho e Thiago Sampaio. Técnica: Murilo Galdino.
Local de encontro: Cia do Chapéu, às 10 h.

-Lençol Manchado: Tácia Albuquerque e Laís Lira. Técnica: André Cavalcanti.
Local: Calçadão do Comércio, às 16h.

- Caminho Suspenso: Fabrício Barros, André Cavalcanti, Laís Lira, Tácia Albuquerque e Natalhinha Marinho. Técnica: Larissa Lisboa
Local: Praça Centenário, às 20h

24.11 - Quinta
- Coruripe: Flávio Rabelo. Técnica: Laís Lira.
Local: Ladeira da Catedral, às 10h.

- Encontro às escuras: Donda Albuquerque e Jorge Schutze. Técnica: André Cavalcanti, e Larissa Lisboa.
Local: Calçadão do Comércio, às 14h.

- Ficção: Jorge Schutze. Técnica: André Cavalcanti, Donda Albuquerque e Larissa Lisboa.
Local: Viaduto Iby Gato, às 16h.

- Conversação: “Intervenção Urbana – ação contestadora ou arte de contestação?”.
Local: Cia do Chapéu, às 19h30.

25.11 - Sexta-feira
- Dá cá um Abraço: Natalhinha Marinho. Técnica: Larissa Lisboa.
Local: Penedo, às 10h.

-Porcão: Magnun Angelo, e Laís Lira. Técnica: Donda Albuquerque.
Local: Calçadão do Comércio, às 16h.

- Afogamento: Joelle Malta e Donda Albuquerque, Magnun Angelo e Laís Lira. Técnica: Murilo Galdino.
Local: Praia de Ponta Verde (em frente ao Maceió Mar Hotel), às 20h.

26.11 - Sábado
- Amor#1 (Love#1) : Jorge Schutze e Laís Lira. Técnica: Tácia Albuquerque.
Local: Grota do Jacintinho, às 10h.

- Parados: André Cavalcanti, Joelle Malta, Laís Lira, Murilo Galdino e Thiago Sampaio. Técnica: Magnun Angelo.
Local: Pátio Maceió, às 15h.

- Encerramento: Exposição Fotográfica “Jornada 2011”; Noite de queijos e vinhos.
Local: sede da Cia do Chapéu, às 20h.
___________________________________________________________________

Sede da Cia do Chapéu: Rua Mizael Domingues, n 72 , Centro. ( em frente ao IFAL)
Contatos: Thiago 99050575 ou Magnun 88575914
ciadochapeu@gmail.com
www.ciadochapeu.blogspot.com

www.jornadadeintervencoes.blogspot.com

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Jornada de Intervenções 2011

Ponto parágrafo. É preciso reconhecer um certo esquecimento quanto a esse espaço, embora a Jornada não tenha se extinguido. Houve algo entre 2008 e o presente que nos distanciou desse projeto nascido justamente a partir do que gerou a Cia do Chapéu - a ideia despretenciosa de intervir no espaço urbano com cenas, exercícios, poesia. Criamos esse blog como uma forma de registro dessa ideia que tanto nos encanta e nos instiga, mas no acúmulo de tantas funções e tarefas, nos desarticulamos da continuidade de alimentá-lo. 




Porém a Jornada em si não parou. Em 2009, realizamos uma programação ainda espalhada durante o mês de novembro, contando com a participação de artistas e estudantes de artes cênicas da UFAL; queríamos cúmplices, pois percebemos que não estávamos sós nessa experiência e juntar forças nos pareceu o melhor a ser feito. Cada um no seu tempo, então, apresentou as ações que melhor expressavam suas necessidades daquele momento, suas ideias e inquietações, ou nos acompanhou nas nossas ideias. Mas apesar do envolvimento de outras pessoas, houve um "Q" de desarticulação no meio do caminho. A programação foi acometida de imprevistos e se fragmentou aos poucos, gerando certo desistímulo dos participantes. 



Isso nos deixou desgostosos e em 2010 na tentativa de não ver um projeto que consideramos tão bacana se acabar, resolvemos concentrar o trabalho nos fins de semana, acrescentando além das intervenções, momentos de troca de conhecimento, oficinas criativas conosco e com convidados (Fabrício Barros, Telma César e Jorge Schutze). E esses momentos foram o grande diferencial da Jornada e o grande gerador das intervenções realizadas naquele ano. Sentimos um avanço por um lado e por outro, a fragilidade do ano anterior ainda nos assombrava.


No entanto, A intenção não deixou de ser a de provocar uma ruptura, mesmo que breve, na ordem cotidiana estabelecida. Não deixamos de ir às ruas, não deixamos de procurar companheiros para a empreitada e não deixamos de acreditar que a Jornada de Intervenções vale muito a pena. E justamente por isso, após uma avaliação séria e urgente, retomamos esse projeto com energia renovada. Cá estamos nós atualizando o blog e nos preparando para programação mais articulada e instigante.




Dessa vez concentramos nossas ações no período de uma semana, de 19 a 26/11, quando tomaremos os mais variados espaços da cidade de Maceió com performances, dança, intervenções, instalações, todas de alguma maneira refletindo o corpo na nossa sociedade, a partir do extracotidiano, da estranheza, da crítica, da surpresa, do bom humor... Estão com a gente, amigos e artistas muito queridos, pois ainda acreditamos que unir forças é sempre uma ótima ideia.


Portanto, a partir de agora quem nos acompanhar por aqui terá acesso a diversas informações, imagens, impressões, relatos, vídeos relacionados, não somente à Jornada de Intervenções da Cia. do Chapéu, mas a um compartilhamento de ideias, experiências e reflexões sobre a ocupação do espaço urbano pela arte.

A Jornada está de volta com energia renovada. E isso inclui a retomada desse espaço, depois de um enorme parêntes que acabamos de fechar, para iniciar uma nova oração. Sejam sempre bem vindos!!!

Fio de sangue

Por: Murilo Galdino - Maceió, 26 de Novembro de 2010


A intervenção fio de sangue ocorreu na tarde do dia 26 de outubro de 2010 na Praça Deodoro, no centro de Maceió. As 14 horas chegamos no local , onde juntos, Thiago, Donda e eu, escolhemos um espaço entre dois canteiros da praça, onde havia um poste entre eles, daí começamos a preparar a cena, violência é o tema desta intervenção . Amarramos vários fios de lã vermelha do canteiro ao poste, e pregamos vários recortes de jornais com matérias acerca da violência formando um varal de notícias, em seguida jogamos sangue cênico em cada recorte, com isso os recortes pingavam sangue no chão da praça. A praça se encontrava movimentada, pessoas caminhando e muitas sentadas nos bancos.


Algumas pessoas passavam e ficavam observando e as pessoas que ficaram sentadas próximo a nós acompanharam todo desenvolvimento da intervenção, induzidas na curiosidade de saber, talvez ,como aquilo terminaria. Em seguida derramamos bastante sangue abaixo do varal, formando assim uma grande mancha de sangue. Nosso material foi simples: fios de lã vermelha, pregadores de madeira, recortes de jornais e sangue cênico (mistura de mel, anilina e xarope de groselha).



Adorei fazer esta intervenção. Vemos relatos de vários tipos de violência que ocorreram e ocorrem no estado e são mostrados em boletins e edições diárias de jornais que duram até o final do dia e depois são esquecidas, só não esquecidas nas vítimas e pessoas envolvidas nos acontecimentos. O varal será muito impactante para as pessoas que passarem e verem. Instigará as pessoas sobre aquilo, notícias sangrando se igualando da mesma forma como ocorreram as violência narradas, com certeza pessoas irão se identificar com aquela mancha de sangue seja como vítima ou causador e outras abrirão os olhos para os problemas em nossa volta e a que ponto chegamos nessa história.





quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

RELATÓRIO SOBRE INTERVENÇÃO “CAIXA DE RECLAMAÇÕES - INSTITUCIONAL”

Por: Donda Albuquerque - Maceió, 17 de Novembro de 2008

            Supermercado Extra. Caixa de reclamações. Cheguei ao supermercado e fui direto a caixa de reclamações. Não fui abordado por ninguém. Lá escrevi as seguintes reclamações:

  1. 1.      Gostaria de reclamar que falta amor neste supermercado.
  2. 2.      Gostaria de reclamar quanto aos uniformes dos funcionários, moremos num país tropical e Maceió é muito quente, eles deveriam usar bermudas, camisetas e chinelos.
  3. 3.      Gostaria de reclamar, porque nunca fui paquerado por nenhum funcionário de seu supermercado, sou muito bonito e quero ser paquerado!
  4. 4.      Raça de desumanos, não custa nada dar 10% do faturamento mensal a quem precisa, tem muita gente passando fome.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Relato

Na intervenção no interior do ônibus, Tácia nos lembra as pessoas desempregadas que pedem dinheiro e os (as) meninos (as) de rua que vendem Balas. Pedindo um gesto, uma atitude qualquer, que nos lembre que o mundo não é tão ruim, ao vê-la sendo abraçada pelas pessoas, fiquei bastante emocionada ao sentir a sua coragem - como diziam as pessoas - em ser uma sementinha neste mundo tão cheio de violência e contradições. Foi maravilhoso!

Bethânia Albuquerque[1]



[1] Mãe da interventora Tácia Albuquerque